02 janeiro 2018

Resenha: As três Marias


Finalmente uma resenha de livro por aqui! 

Recebi esse livro na caixinha da TAG e quando vi que ele foi publicado em 1939 resolvi apostar nessa leitura. Demorei um pouquinho para terminar de ler, porque a escrita é bem antiga, com palavras e expressões que eu só conseguia entender se lesse mais de uma vez.

Primeiro quero falar que é muito satisfatório ler um livro de 1939 publicado por uma autora! Sem falar que fico imaginando os pensamentos das pessoas que leram logo após ele ser publicado, porque o pensamento feminino é bem exposto e naquela época com certeza foi um"choque"

"Comecei a ter sonhos exaltados. Desejei amar um homem excepcional, diferente de todos - um cego, por exemplo. Sera a luz dos meus olhos mortos, a única ligação do meu amado com o mundo, sobrepassar por um amor incomum os noivados quietinhos e felizes que me humilhavam" Hoje quando leio algo assim, é poético, mas naquela época a mulher era alvo de piada, não podiamos ter as nossas próprias opiniões ou pensamentos, e Rachel de Queiroz foi muito corajosa em escrever e publicar essa obra tão bem feita.

O livro relata a historia de três amigas, Maria Gloria, Maria José e Maria Augusta. Porém a escrita foca mais na vida de Maria Augusta, cujo apelido é Guta. Fiquei meio confusa em algumas partes por não saber se Guta ainda era criança, adolescente ou já tinha crescido, mas fora isso o livro é incrível. Me idenfiquei muito com Guta, porque ela não tem medo de falar nada e é muito doce ao mesmo tempo.

"Aliais, ainda hoje, que eu sei do amor? Como será a atitude de um homem diante de cada mulher que possui? Qual a diferença que pode ele estabelecer entre uma posse e outra posse? Ás vezes ele nos diz certa palavra de comovida intimidade que nos toca profundamente, e nos levaria a lhe dar mais, se houvesse a dar; e quem sabe não é essa palavra um lugar da ocasião, qualquer coisa já gasta e deformada pelo uso, tão mecânica quanto as outras atitudes do amor? Qualquer frase de cortesia banal, se fosse ouvida com o coração, poderia ter um sentido riquissimo e profundo. No entando, resvala por nós, sem despertar gratidão, nem interesse, sem compromisso de verdade, mera fórmula que é. Talvez os homens usem as ternuras do amor como empregam os "encantado em conhece-la", na rua. E é a nossa ingenuidade inexperiente que descobre confissões e protestos no que não é mais do que uma cortesia corriqueira."

Espero que a leitura desse ultimo trecho, tenha despertado uma vontade de lê em você, esse livro tão lindo e cheio de arte! <3

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