04 janeiro 2015

Janela de lembranças.


Lembro-me perfeitamente da exata cor do seu olho, e do tamanho exato do seus cílios. Lembro-me da tonalidade da sua boca e do tom de mel voltado para o loiro do seu cabelo. Lembro-me exatamente de todas as vezes que me despedi de você antes de uma viajem, e guardei a certeza que você voltaria sem ser meu. Você sempre voltava sem ser, e depois eu te puxava para mim novamente.

  Mas eu me lembro muito mais quando você realmente disse que ia embora, e eu não acreditei. Eu te olhava partindo pela janela e meus olhos a cada milésimo de segundo que passava, se transformava em quedas de cachoeiras molhando todo o meu rosto.
 É aquela cena que passa pela minha cabeça sempre que lembro de você. Não tinha nem um mês que aquela janela foi posta na parede, e já se eternizou em uma lembrança ruim.  Naquele instante, me perguntei diversas vezes em que eu errei, e porque errei tanto, se eu realmente tivesse errado. 

Você era um poço de qualidade e eu um poço de defeito. Você sempre foi tão melhor que eu, que comecei a falar que você era a melhor parte de mim. Você sempre foi tão espontâneo e engraçado. Sempre me fez rir tão verdadeiramente feliz, que vivi todo o nosso tempo com medo de não sorrir mais.

 Exagerei. Porque hoje eu sorrio. Sorrio por tudo! Por uma borracha que cai no chão e sai rebolando até parar, ou pelo café que derramei na minha farda no último minuto de ir fazer uma prova. Me preocupei tanto em não sorrir mais. Que esqueci que quem não rir, na maioria das vezes chora. 

 E mesmo eu rindo por tudo agora, a cachoeira de lágrimas sempre me pega. Aparece em um filme de desenho animado em que eu me batia de tanto rir, e você ria só com o fato de não saber do que eu estava rindo. Aparece quando eu olho para o meu quarto, e até o borrão da parede lembra você. Aparece a noite quando sei que você não vai mais me pedir para dormir do lado da parede, porque é frio. Aparece sempre. Igual aos sorrisos. A diferença é que eu sei controlar os dois. 

 E não me importo mais com o que pensam. Não me preocupo com quem vai me ver, ou com quem vai ler o que eu escrevo. Não me escondo com medo de errar, eu vivo com medo de não errar. Porque só assim vou aprender, para um dia, eu sorrir.

4 comentários:

  1. Que texto lindo, eu li e fiquei pensando do carinha e é exatamente assim lembro de cada detalhe, lembro de tudo. Parabéns pelo texto, ameiiiii. Beijos e vamos manter contato...

    Blog Apenas Diles / @caroldiles
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    1. Que bom que meus textos conseguem liberar a visualizações dos personagens!!!!! Beijos

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  2. Seu texto é perfeito ,eu já li umas 3 vezes rsrs ' ,adorei viu ?Muito perfeito *0* .Beijinhos
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